Review – The Woman Who Lived

[Shh, spoilers]

The Woman Who Lived, o sexto episódio da nona temporada, é uma continuação de The Girl Who Died, mas com uma trama totalmente diferente. Após ter ressuscitado Ashildr no episódio anterior, tornando-na imortal, o Doctor a reencontra quase 1000 anos depois como uma saqueadora do século 17 e atendendo pelo nome de Me (Eu). A maior parte dos 45 minutos dá ênfase não à ação, mas a uma exploração excelente do desenvolvimento desta personagem e das consequências dos atos do Doctor retornando para encará-lo de frente.

O roteiro de Catherine Tregenna, que já havia escrito quatro episódios de Torchwood anteriormente (entre eles o maravilhoso “Captain Jack Harkness” da 1ª temporada), atinge seus ápices quando coloca apenas o Doctor e Ashildr conversando, revelando aos poucos a vida sofrida que teve durante todos esses anos. Doctor Who sempre foi uma série melodramática, com violinos no último volume, lágrimas, dor e sofrimento; porém, o momento em que ela conta que perdeu seus filhos bebês durante a Peste Negra é de uma honestidade crua não muito comum no programa. Maisie Williams consegue superar com folga sua atuação em The Girl Who Died, transmitindo uma maturidade que transcende sua aparência adolescente. Em nenhum momento existe dúvida de que aquela personagem passou por muitas barras na vida.

Conforme mais informações vão surgindo de seu passado, maior se mostra a relação entre os dois personagens, condenados a assistirem enquanto todas as pessoas amadas vão ficando para trás. Ao contrário do Time Lord, Ashildr acabou dessensibilizada, enxergando os seres humanos como meras criaturas temporárias e insignificantes. É necessário que volte à tona o lado extremamente humanitário e empático do Doctor em um momento de crise para ancorá-la de volta no mundo ao seu redor.

Mas nem tudo são flores. O vilão do episódio é um pastiche mal pensado que parece saído diretamente da primeira temporada de The Sarah Jane Adventures. Um “rei leão” chamado Leandro, que tem olhos de laser e solta fogo pela boca, supostamente aprisionado na Terra e que engana todos a abrirem um portal que possibilitará a vinda de um exército para invadir o planeta. Nem o plano dele é original. Mais bem-sucedido é o personagem Sam Swift, interpretado por Rufus Hound, um divertido mas ineficaz saqueador, capaz de conquistar a plateia de seu próprio enforcamento com comentários humorísticos e que agora pode ou não ser imortal também. Quem sabe?

Resolvido o problema do leão Leandro e sua trupe do barulho, o Doctor e Ashildr, que agora reassumiu seu nome de batismo, sentam para uma cerveja e para discutirem o futuro. Na cena, fica incerto se Ashildr representará uma ameaça ou não. Ela garante que não é uma inimiga, mas Missy diria a mesma coisa. De qualquer forma, seria inconcebível não trazer de volta uma das melhores personagens recentes da série, e sem dúvidas veremos mais de Maisie Williams ainda nessa temporada. Vida longa a Ashildr (com o perdão do trocadilho).

Últimas observações:

– A saída de Clara se aproxima como uma locomotiva, e isso se reflete cada vez mais em seus diálogos com o Doctor. “Não se preocupe, seu velho bobo. Não estou indo para lugar nenhum.” AHAM.

– O último episódio a ter sido escrito por uma mulher foi The Poison Sky, há 7 anos. É um absurdo que tanto tempo tenha se passado com apenas homens assinando roteiros, como se não houvesse centenas de roteiristas talentosas por aí.

– Leonardo é um nome bem mais apropriado para um leão.

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