Review – The Witch’s Familiar

[Shh, spoilers]

The Witch’s Familiar, a segunda parte da história de estreia da 9ª temporada, é um típico episódio do Moffat. Repleto de referências, diálogos ácidos e diversos retcons, a aventura do Doctor, Clara e Missy em Skaro se encerra em um clímax de 45 minutos onde não há muito tempo pra se respirar.

Logo no início, o roteiro não procura manter nenhum suspense sobre o que todos nós já sabíamos: Clara e Missy sobreviveram ao aparentemente extermínio nas mãos (desentupidores?) dos Daleks no fim do episódio anterior. A explicação é dada através de uma cena repleta de estilo em que Missy elabora uma situação hipotética mas extremamente comum em que o Doctor se vê a nanosegundos da morte, mas encontra uma saída. Esta cena conta com pequenas “participações” do 1º e do 4º Doctor, um artifício que se tornou recorrente em roteiros moffatianos, principalmente a partir de The Name of the Doctor. Por um lado, é sempre divertido ver Doctors passados fazendo uma pontinha em computação gráfica; por outro, repetições acabam diminuindo o poder de impacto desses momentos. Depois de dois episódios seguidos com presenças significativas de Doctors passados, espero que Steven Moffat deixe que eles descansem um pouco e aguarde algum outro especial.

O resto do episódio se alterna entre Missy e Clara tentando adentrar a cidade dos Daleks e o Doctor frente a frente com os terríveis saleiros e seu criador Davros. Michelle Gomez tem a chance de expandir sua personagem de outras formas, chegando inclusive a falar em um sotaque texano enquanto assiste a um Dalek morrer, algo que honestamente ela devia fazer mais frequentemente. Quem não assistiria um spin-off de Missy no Texas?

Em mais um de seus já tradicionais retcons (alteração de algo já estabelecido numa história), Moffat explora o funcionamento da armadura Dalek, com sensores telepáticos que filtram qualquer expressão que escape do comportamento padrão da espécie. Talvez o maior legado do episódio seja a explicação de que os tradicionais gritos de EXTERMINATE! sirvam como carregamento das letais armas Daleks. Essa leve alteração na fisiologia Dalek, ao meu ver, serve para transformá-los ainda mais em prisioneiros amedontrados, algo que vai de encontro com o conceito original de Terry Nation.

Sem dúvidas, o ápice do episódio foi a tocante cena entre o Doctor e Davros, similar ao final de O Retorno de Jedi de certa forma, em que o último pede para olhar seu arqui-inimigo com os próprios olhos. Caso tivesse sido sincera, esta seria com certeza um dos momentos mais maduros e belos de toda a série. Logo em seguida, porém, descobre-se que tudo não passou de uma reviravolta dentro de uma reviravolta, com o já batido Eu te enganei, seu bobo/Eu sabia disso e deixei, faz parte do meu plano. Que desperdício.

The Witch’s Familiar traz momentos divertidos e um ou outro derramamento de lágrimas, mas é uma conclusão bastante inferior à primeira parte da história.

Alguns observações:

– Missy aparentemente tem uma filha e imagino que não seja o único que gostaria de conhecê-la.

– Clara, se você está acompanhada da Time Lady mais surtada do universo, talvez se curvar na beira de um buraco na frente dela não seja a melhor ideia do mundo.

– Se Davros podia abrir os olhos, pra que aquele olho no meio da testa esse tempo todo? Cosplay?

– Óculos de sol sônicos. Ok.

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