Review: The Pilot

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Acabou o jejum!! A tão esperada 10ª temporada de Doctor Who começou no sábado (15/04) com o episódio The Pilot e trouxe com ela a mais nova personagem regular da série: Bill Potts, interpretada pela atriz Pearl Mackie. A expectativa para o novo ano da série é alta, já que será o último do queridíssimo Peter Capaldi e também do showrunner Steven Moffat, mas enquanto não chega a hora da despedida, vamos focar no que vimos nesse primeiro episódio. E já teve muita coisa: suspense, surpresa, Dalek, referências à River, à Clara e muitas referências à série clássica. Porém, antes de começar, preciso avisar que essa review vai ter MUITO SPOILER!

Lembrando que a última vez que vimos nosso senhor do tempo preferido ele estava às voltas com Nardole e ajudando o menino Grant a lidar com seus superpoderes no especial de Natal do ano passado. Dessa vez, encontramos o Doutor vivendo como professor de uma universidade em Londres, sob disfarce, e cuidando de um cofre que a gente ainda não sabe o que tem dentro, tudo isso com a ajuda de Nardole. Além de um contexto para conhecer sua nova companion, as palestras na faculdade nos proporcionam alguns minutos de ótimas explicações sobre como o tempo é visto na série. É uma elaboração a respeito do “wibbly wobbly” que a gente já conhece, mas com a profundidade do 12º Doutor.

Quanto ao assunto mais aguardado da estreia, a nova companion, Bill Potts, é apresentada como uma funcionária da cantina do campus que é convidada a receber aulas particulares com o Doutor depois que ele percebe que ela sempre vai às suas palestras e se mostra fascinada com o que ele fala. Bill aparece como uma garota descontraída, curiosa, fã de ficção científica e vivendo com uma mãe adotiva, já que sua mãe biológica morreu quando ela era bebê. Outro ponto que o episódio mostrou foi a homossexualidade de Bill, e fez isso de maneira muito honesta e clara. Em momento nenhum, o fato foi tratado em “meias palavras”, mas também não foi usado como algo extraordinário. Mesmo com um dos focos do episódio sendo a moça na qual Bill está interessada, a orientação sexual da personagem está lá apenas como mais uma das características dela e não como algo que a torne diferente do resto do mundo.

Já Nardole é alguém com quem o público já teve contato nos dois últimos especiais de Natal. Felizmente, o comportamento do personagem está mais semelhante ao que vimos no último, The Return of Doctor Mysterio: menos tagarela, soltando uma piada aqui e outra ali, mas sem parecer aquele amigo chato que tenta chamar atenção com brincadeiras bobas na mesa do bar. No episódio da nova temporada, ele também ganhou a função de explicar para Bill (e para o público que ainda não acompanhava a série) algumas coisas que o Doutor não explicaria, principalmente coisas sobre o próprio Time Lord.

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Não foram só as novidades que fizeram bonito. Também houve muitos detalhes pra lembrar momentos anteriores da série. A começar pelas fotografias de River Song e Susan (a neta do Doutor, que viajou com ele durante o primeiro ano da série clássica) na mesa do escritório na Universidade. Ainda nesse cenário, é possível ver um vasilha com várias das versões da chave de fenda sônica que já foram usadas, o busto de Bethoven que apareceu no episódio Before the Flood (9ª temporada) e uma pequena estátua de um corvo (um tiro para quem não superou a “morte” da Clara). Outros momentos trouxeram lembranças, principalmente, da série clássica: o significado do nome T.A.R.D.I.S, originalmente revelado por Susan no primeiro episódio da série, é repetido algumas vezes; o próprio papel do Doutor como professor da Universidade, com a Tardis estacionada no seu escritório, certamente fez muitos recordarem o Professor Chronotis, em Shada; Na última tentativa de se livrar da perseguição de Heather, o Doutor leva seus amigos até uma guerra entre os Daleks e os Movellans, seres que apareceram no arco Destiny of the Daleks, de 1979, e a explicação de Nardole sobre a TARDIS, de que você precisa imaginar uma caixa muito grande dentro de uma muito pequena, é baseada em uma fala do 4º Doutor, de 1977. Os nomes de Bill e Heather também são uma homenagem ao ator William (Bill) Hartnell, que viveu a primeira encarnação do Doutor, e sua esposa.

Em meio a tanta coisa, o enredo poderia até passar despercebido e estar lá só pra servir de plano de fundo, mas obviamente, ele também tem sua importância. Se a gente conhece bem o estilo de Steven Moffat, a história aparentemente simples de como Heather foi “engolida” por uma espécie de nave líquida que precisava de um piloto ainda promete ter outros desdobramentos. A trama também deu margem para alguns sustos e momentos tensos, que só deixaram tudo melhor.

Para os corações mais derretidos, ou ainda para aqueles que amam nossa Clara Oswald (como esta pessoa que vos escreve), o episódio guardava ainda uma última emoção, com direito a uma versão do tema da personagem tocando ao fundo. A cena em que o Doutor tenta apagar a memória de Bill (de um jeito que também fez com que todo mundo lembrasse da Donna) funcionou quase como uma maneira de a antiga companion passar a tarefa para a nova, visto que foi a lembrança (ou seria mais correto dizer o esquecimento?) de Clara que fez com que o Senhor do Tempo desistisse de apagar a memória de Bill.

De maneira geral, The Pilot conseguiu atender às expectativas de um público sedento por histórias novas e instigado por cada notícia divulgada antes da estreia. Com tudo que já foi prometido para os próximos episódios, só podemos esperar que Doctor Who venha mesmo com força total na nova temporada.

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