Review Doctor Who S10E05 – Oxygen

[Esse texto contém spoilers]

“O Espaço: a fronteira final”. Quem é fã de Star Trek/Jornada nas Estrelas se emocionou quando viu a introdução de Oxygen fazendo essa homenagem à abertura da série, mas quem não é também teve motivos de sobrar pra ficar arrepiado com o resto do episódio. De zumbis espaciais até uma baita surpresa nos últimos segundos, a história escrita por Jamie Mathieson é daquelas que vão ficar na cabeça do público por algum tempo.

O início do episódio explica a principal ameaça que precisará ser enfrentada: o que o vácuo e a falta de oxigenação do Espaço podem fazer com o corpo humano. Bônus para a aula maravilhosa do Doutor na Universidade, que mostra o que a ciência realmente diz sobre o assunto e deixa a gente com vontade de ter um professorzão desses. A cena também lembra a intenção inicial da série, nos longínquos anos 1960, quando o projeto era de fazer um programa que ensinasse, ao mesmo tempo, sobre Ciências e História.

Outra coisa que fica clara desde os primeiros minutos é o clima de suspense e terror que vai tomar conta de toda a trama. Isso foi garantido não apenas no roteiro, mas também na caracterização e até na sonografia. Os cadáveres da tripulação da estação espacial agindo como zumbis dentro dos seus trajes servem tanto como algozes dos poucos viventes quanto como lembrete do que eles podem se tornar em breve. Já a ameça de ficar sem ar e a necessidade de contar as vezes em que respira, gera mais um fator para o envolvimento do público. Alguém aí se flagrou tentando controlar o fôlego junto com a Bill? O episódio aumenta ainda mais a tensão contando as distâncias a serem percorridas com o número de respiradas necessárias para fazer o percurso e deixando o áudio das respirações bem perceptível em alguns momentos, que acaba incentivando quem assiste a inspirar e expirar na mesma velocidade.

Essa interação entre espectador e enredo tem o seu ápice quando a Bill quase sufoca. Não foi por acaso que o diretor escolheu mostrar a cena sob a perspectiva dela, inclusive deixando o público saber o que aconteceu depois que ela apagou apenas por relatos dos outros personagens. Além de reforçar o envolvimento do público, a sequência serve como um lembrete da principal função dos companions de Doctor Who: representar o público e ao mesmo tempo ser um elo entre ele e o Senhor do Tempo.

Quem ganhou um pouco mais de espaço nessa história foi Nardole. O alien esteve meio largado nos últimos episódios, mas finalmente teve sua oportunidade de viajar novamente com o Doutor e a Bill, participando da história do começo ao fim. O resultado disso gerou algumas opiniões controversas: enquanto alguns começaram a gostar mais do personagem, outros acham que ele está chato demais lembrando ao Doutor o tempo todo daquele cofre. Eu continuo achando que ele está ok – nem mais nem menos que isso.

O desfecho da história seguiu o que parece ser uma linha constante nesta temporada: mostrar que os maiores inimigos da humanidade nascem dela mesma. Com a questão da venda de oxigênio e a revelação de que a morte de toda a equipe foi uma ordem da própria empresa para a qual trabalhavam, a série fez uma crítica direta ao Capitalismo e, mais uma vez, à ganância. Dos cinco episódios já exibidos na 10ª temporada, os seres humanos foram os responsáveis (diretos ou indiretos) por quase todas as ameaças enfrentadas, desde Smile até agora. As histórias parecem encontrar maneiras diferentes para debater as mesmas questões – incluindo o racismo, que dessa vez foi explorado de forma rápida e inteligente com o personagem azul Dahh-Ren.

E a grande surpresa ficou para os últimos segundos, com a revelação de que o Doutor não conseguiu recuperar a visão, perdida ao salvar a Bill de ficar sem oxigênio. Como isso é possível para alguém que tem tecnologia para colocar a cabeça do Nardole de volta no corpo e dar uma perna nova em folha pro Ram (em Class), esperamos que Moffat explique no próximo episódio, que aliás, promete muito. Mas aí já é assunto pra semana que vem.

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