REVIEW 12×02 – Spyfall (Parte 2)

Spyfall (Parte 2) nos trouxe reviravoltas, altos e baixos, em um alucinante pega-pega pelo tempo e espaço. Quem pegou quem no final das contas, não sabemos, mas vamos ver isso e muito mais neste review.

O Universo Who não é River Song, mas alerta: SPOILERS à frente (ou abaixo).

Vamos falar sobre:

  • Paradoxo do avião (aka Moffat feelings);
  • A natureza e motivação dos Kasaavins;
  • As quase companions Ada e Noor;
  • O “pega-pega” no tempo e espaço;
  • Personalidade do Mestre;
  • A revelação final (cliffhanger).

Então, vamos quebrar o vórtex temporal e pousar direto no Review de Spyfall (Parte 2).

 

Avião do Moffat

“Nossa, senti que essa sequência do resgate no avião foi muito Doctor Who!!!”

Claro, né, minha gente… Mais um paradoxo. Absolutamente TODAS as macrotramas da era Moffat (da 5ª à 10ª temporada, chefiadas pelo escritor Steven Moffat) foram solucionadas por paradoxos (e criadas a partir dos mesmos paradoxos).

Vamos lembrar: “um paradoxo temporal é um evento de reação sem ação motivadora primária, em que a reação gera a ação causadora, mas posteriormente à reação, em uma ordem ilógica dos fatos”.

Em outras palavras, paradoxo é quando uma coisa só acontece porque seu futuro já aconteceu. Não existe causa inicial, as aventuras só surgem porque elas já existiam sem causa inicial. Ou seja, wibbly-woobly timey-wimey.

É isso que causa confusão nas pessoas quando tentam linearizar os eventos paradoxais (aka “era Moffat”) – e às vezes, por não entenderem, julgam como algo “muito inteligente”.

O problema desse recurso é que ele é uma resolução “coringa” para qualquer problema que a história traga, por mais impossível que ele aparente ser. Quando se usa demais esse recurso para solucionar as tramas, podemos com muita facilidade concluir que há uma preguiça criativa nesse padrão.

Na 11ª temporada, o atual escritor-chefe Chris Chibnall conseguiu entregar 10 episódios e 1 especial sem recorrer aos paradoxos, deixando a temporada linear, em termos de ação-reação. No entanto, em Spyfall (Parte 2), a Doutora (Jodie Whittaker) só salva seus companions porque no futuro eles já haviam sido salvos por ela.

Esse é o benefício/maldição das histórias de viagem no tempo. Portanto, Chibnall, 1 ponto a menos.

 

Kasaavins: aliens de luz, motivação obscura

Não são apenas os nossos celulares que sofrem de falta de espaço de armazenamento. Os Kasaavins, alienígenas de outra realidade ainda desconhecida, também têm problemas de memória interna.

Para isso, quiseram transformar cada célula humana presente na Terra em diversas épocas diferentes em seu próprio pendrive. É sério isso? Tudo bem… é Doctor Who. Já lidamos com motivações muito menos coerentes.

Além disso, a revelação final do plano dos Kasaavins com o presidente da Google VOR, Daniel Barton (Sir Lenny Henry), nos deixa uma dúvida: qual era a real motivação dos Kasaavins?

Uma coisa é o plano, outra coisa é a motivação. O plano era apagar o DNA dos humanos, mas e a motivação? Utilizar o DNA dos humanos para usar nossos corpos vazios como memória de “computadores kasaavianos”? Era apenas aniquilar os humanos e conquistar o universo?

Ressalto aqui: o DNA não é um espaço físico em que se escreve as milhares de informações que definem o respectivo organismo, mas ele é, por si só, essas informações. DNA é um ácido, cujas moléculas servem de instrução para o desenvolvimento genético do corpo. Apagar as informações do DNA seria destruir a própria estrutura física molecular do DNA, não sobrando nada para se reescrever por cima.

Voltando… O esforço para conseguir atingir o objetivo do plano foi muito grande e muito frágil. Precisou da ajuda do maior empresário da Terra e do Senhor do Tempo mais psicopata da história de Gallifrey. Entretanto, se a motivação fosse exterminar a humanidade, não seria mais simples atacar todos arremessando-nos para o “reino” Kasaavin e deixar-nos lá à própria sorte até morrermos de sede em poucos dias?

Outra coisa foi a passividade do Kasaavin que transportou a Doutora do reino para o passado e depois novamente para o futuro. Ele ficou lá, dócil, à espera de a Doutora sonicar a “Dama de Prata” (dispositivo do qual os Kassavians dependiam).

Há muita coisa mal justificada no plot dos Kasaavins ainda.

A natureza dos Kasaavins

A questão mais relevante, na minha opinião, é que os Kasaavins são possuidores de um poder fenomenal, e que a Doutora ainda não conseguiu vencer. Ela resolveu o problema de uma forma “diplomática”, desestabilizando a confiança e parceria deles com o Mestre (Sacha Dhawan). Com seus planos frustrados, os Kasaavins “somem” da trama, sem a gente saber muito o que acontece a eles dali em diante.

Ainda assim, quando a Doutora ainda está presa no “reino” deles, ela não consegue – sozinha – compreender o lugar, sendo que a chave de fenda sônica não funcionava lá. Sem TARDIS e “sem sonic“, a Doutora é salva pelo roteirista gongo ao surgir uma nova companion naquele ambiente – algo que não aconteceu à Yasmin “Yaz” Khan (Mandip Gill) quando estava presa lá, em “Spyfall (Parte 1)”.

Da mesma forma que a Doutora não conseguiu uma forma de confrontá-los, os Kasaavins também não se mostraram “letais o suficiente”. Apesar de terem “formatado” o DNA de alguns seres humanos, levando-os à morte, foi preciso um aparato tecnológico importante e raro para tal feito. Sem essa “arma”, não há mais letalidade comprovada na natureza kasaaviana.

Vale ainda lembrar que esses benditos iluminados foram até agora os ÚNICOS seres a conseguirem atravessar a porta fechada da TARDIS sem deixar vestígios. Também conseguiram mandar para o “reino” misterioso ninguém menos que a Doutora (que venceu todos os Senhores do Tempo) e o Mestre (que destruiu toda Gallifrey).

Será então que os Kasaavins poderiam vencer até mesmo os Senhores do Tempo de Gallifrey também?

Boneless sim ou não?

Spayfall (Parte 2) termina sem resolver o mistério da natureza e origem dos Kasaavins. No nosso review da Parte 1, trouxemos a hipótese de eles serem os alienígenas “Boneless” (ou Desossados, na versão dublada da série), que apareceram no episódio 9 da 8ª temporada, “Flatline”. “Estáveis agora”, os Kasaavins ainda podem ser aqueles alienígenas que foram vencidos pelo 12º Doutor (Peter Capaldi). E estou torcendo para isso…

 

Ada Lovelace e Noor Inayat Khan

Ô, nomezinho difícil, dona Noor…

Não importa em que época ou lugar o Doutor se encontre, ele vai fazer companions, sejam elas fixas ou temporárias (ou eles). Com a regeneração da Doutora, não foi diferente. Nossa Senhora do Tempo mal é jogada para um universo diferente e já faz uma amizade.

Ada “Gordon/Lovelace”

Em Spyfall (Parte 2), Ada (Sylvie Briggs) ainda era a adolescente Augusta Ada Byron. O pai dela era ninguém menos que o poeta britânico George Gordon Byron, o famosíssimo e polêmico “Lord Byron”, e, por isso, a filha também era chamada de Ada Gordon. Quando conhece a Doutora, em 1934, Ada só tinha 19 anos de idade (uma década após a morte do pai). Um ano depois desse encontro fictício, Ada se casou com o barão William King e adotou o sobrenome do marido. Alguns anos depois, o marido “Lord King” recebeu o título de Conde de Lovelace, sobrenome de uma antiga linhagem britânica de barões. Assim, Ada, a então “Lady King”, passou a ser chamada também de Condessa de Lovelace ou, simplesmente, Ada Lovelace.

Calma, tem mais.

Ada é tida como a primeira programadora de computador. Na vida real, ela era uma matemática, assistente do inventor inglês Charles Babbage (Mark Dexter). Ele desenvolveu o primeiro protótipo do que futuramente viria a ser o primeiro computador da história. Ada foi a responsável por transcrever o trabalho de Babbage e de adicionar nessas traduções as próprias anotações, inclusive aquela que depois ficou conhecida como o primeiro algorítimo de programação computacional. No entanto, Ada nunca chegou a ver esse trabalho construído, pois faleceu antes, vítima de câncer, com apenas 36 anos de idade.

Ufa…

Ada no episódio

Em Doctor Who, Ada foi interpretada com uma personalidade impetuosa e objetiva. Essas características foram baseadas no papel que Ada preenche na história da humanidade como matemática e programadora. Ada é uma companion de fato corajosa e centrada e, digamos de passagem… JOGOU UMA GRANADA NO MESTRE e ainda atirou nele com uma metralhadora!

Mais que isso, Ada lidou muito racionalmente com suas constantes abduções pelos Kasaavins e também demonstrou compaixão ao oferecer ajuda à estranha que “lhe apareceu na mente”. De volta ao escritório do colega machista Babbage, Ada ainda ousou se aventurar com a Doutora, rumo ao desconhecido, já sabendo que aquele “guardião” era mais perigoso do que ela supunha.

A participação dela na trama não foi decisiva, mas auxiliou nos planos da Doutora de reverter as malignidades do Mestre. O ponto-chave da participação dessa personagem histórica em um episódio que já tinha muito a contar está, na minha opinião, na cena final de Ada.

Ada ofereceu-se para ser uma viajante com a Doutora, revelando todo deslumbre que sentiu com o futuro e com as tecnologias, mesmo diante de tragédias e ameaças, tais como o cenário de guerra que encontrou em Paris do “futuro”. Porém, a Doutora, conhecedora da história pessoal de Ada, sabia que a jovem não tinha muito tempo de vida e que ainda precisava desenvolver um papel importantíssimo na história da humanidade. Assim, apagou a memória da adolescente, alegando que ela não precisava saber de nada do futuro, pois sozinha Ada já conseguiria vislumbrar todo aquele potencial.

Isso é lindo. Por quê?

Porque demonstra que muito da grandeza da humanidade não veio “de fora”, nem da mente da Doutora, mas que nós somos incrivelmente capazes de criar, por nossa própria competência, futuros brilhantes para nossa espécie. Quando a Doutora permite que Ada continue sua história pessoal sem interferência do futuro, ela nos concede esse privilégio de autonomia (e Chibnall evita de ter criado um novo paradoxo, de que Ada “só teria ajudado a desenvolver um computador porque teria visto eles prontos no futuro” – ponto para Chibnall).

Ada conhece o 4º Doutor

E para quem ficou triste com a despedida, o timey-wimey de Ada não acaba ali.

Em janeiro de 2019, a BBC lançou o audiodrama “The Enchantress of Numbers” com o 4º Doutor (Tom Baker). Na história, o Doutor conhece Ada Lovelace (voz de Finty Williams) em seu último ano de vida, em 1852. No entanto, antes de conhecê-la, o Doutor já havia lido todas as anotações que Ada havia feito para Babbage.

Doutor e Ada se tornam parceiros de cartas em um bar, pois Ada gostava de carteado após ter se aposentado da matemática por motivos de saúde. No audiodrama, o 4º Doutor ressalta que infelizmente o trabalho de Ada ficaria esquecido por praticamente um século antes de ser revisitado e reconhecido, mas que eventualmente ela seria uma importante personagem histórica.

 

A espiã Noor Inayat Khan

Se você acha que o nome dela já era complicado na série, veja só o nome completo: Noor-un-Nissa Inayat Khan.

Felizmente, a história costuma se referir a ela como Nora Baker (pseudônimo que usou como escritora), que fica bem mais fácil do que em Doctor Who. Porém, Noor também teve outro codinomes, tais como Madelaine, Jeanne-Marie Renier e até “Enfermeira”. Então, nada mais propício que uma “Enfermeira espiã” e uma “Doutora espiã” unissem forças nessa aventura.

Noor nasceu em um monastério na Rússia, filha de um muçulmano e de uma norte-americana. Elas nasceu em 1914, juntinho à Primeira Guerra Mundial. Ela morreu em 1944, ainda durante a Segunda Guerra Mundial. Portanto, essa pobre alma nunca viveu um período de paz, já que o período “entre guerras” também foi marcado por forte tensão militar. Inclusive, em Spyfall (Parte 2), Noor conhece a Doutora em 1943 (um ano antes de ser friamente executada pelos nazistas, com apenas 30 anos de idade).

Desde 1940, Noor era uma espiã a serviço do governo britânico contra os nazistas. Iniciante, a função dela era se infiltrar em território inimigo e transmitir secretamente códigos em linguagem morse para o governo britânico. Ela entrou para a história como “a primeira mulher operadora de telégrafo sem fio enviada para a França ocupada, para auxiliar na resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, e também é a primeira heroína de guerra muçulmana do Reino Unido”.

Noor no episódio

Assim como Ada, a função de Noor é auxiliar a Doutora durante o “pega-pega” entre a Senhora do Tempo e o Mestre. Noor foi peça-chave ao conseguir transmitir uma mensagem em código-morse para o governo nazista, alegando falsamente que o general Mestre pudesse ser um agente espião britânico disfarçado. Isso foi o suficiente para que a Doutora tivesse tempo de ter um “tête-à-tête” com o vilão e desativar o filtro de percepção que ele usava para passar despercebido pelos nazistas. Foi assim que a turma conseguiu interromper a perseguição do Mestre e, de quebra, ainda roubar a TARDIS dele.

Noor se mostra uma moça doce e desconfiada, mesmo que tendo vivido sempre em meio à guerra. Uma “pacifista”, como declarou a Doutora, era tudo de que aquele período precisava. Portanto, a Doutora estava com uma visionária e uma pacifista, tudo que a humanidade realmente precisa: visão de futuro e uma visão de paz.

Nessa união de quase companions, temos o toque de doçura que Spyfall (Parte 2) precisava, em meio a tanta ação, comédia, sci-fi e grandes revelações gallifreyanas. Duas pessoas fortes, humildes e bondosas, transmitindo uma mensagem de poder e esperança.

 

“Pega-pega” no tempo e espaço

Ao descobrir que a Doutora conseguiu escapar do reino dos Kasaavins, começou um verdadeiro pega-pega. Mestre persegue a Doutora por vários locais e época, em um jogo de gato e rato (mas aqui o rato é que persegue a gata).

No ambiente steampunk de 1934, a feira de ciências é palco do primeiro confronto moral entre Doutora e Mestre. A velocidade com que o Mestre encolhe e mata as pessoas nos surpreende, e com uma animação muito boa, inclusive. Essa sequência inicial é ótima para vermos que o novo Mestre não é bonzinho, que a cena do avião não foi encenação e que sim o Mestre continua com um problema de ego enorme.

Ali, obviamente, vemos referência ao Mestre de John Simm, durante a cena “diga meu nome” (semelhante a que ele fez ao se revelar para o 10º Doutor (David Tennant) no final da 3ª temporada. Porém, sabendo da revelação final sobre o “grande segredo de Gallifrey”, fica o questionamento: foi por mero prazer ou porque o Mestre pudesse estar passando por uma crise de identidade que ainda não nos foi esclarecida? Há uma mentira sobre o passado dos Senhores do Tempo, e, de antemão, esse diálogo pode ter muito mais sentidos subliminares do que pensamos.

Ou não…

Já na Segunda Guerra, o Mestre se disfarça de nazista para perseguir a Doutora em Paris. Ele falha em perceber a Doutora escondida sob o assoalho de Noor e falha novamente ao cair na armadilha da Doutora no alto da Torre Eiffel. Finalmente o gato pega o rato.

Motivação revelada

Entretanto, o que mais importa nessa sequência é a manifestação das demais facetas que o Mestre de Dhawan nos presenteia. Vemos agora um Mestre intencionalmente melancólico, quase que “em terapia” com a Doutora. Finalmente descobrimos sua motivação. Tudo era só um pretexto para chamar a atenção da Doutora e contar sobre a destruição de Gallifrey.

Isso nos remete a outra referência de continuidade. No início da 9ª temporada, a então companion Clara Oswald (Jenna Coleman) questiona Missy (Michelle Gomez) sobre a natureza de sua alegada “amizade” com o Doutor. Sarcasticamente, Missy explica que suas tentativas de tentar matar o Doutor são apenas “a forma como eles se comunicam” desde sempre. Dessa forma, o que o Mestre de Dhawan nos apresenta concilia perfeitamente com o que Missy havia dito. O Mestre precisava contar à Doutora sobre Gallifrey e, para isso, arquitetou matar a humanidade “de quebra”, como se fosse uma cereja no bolo.

 

O grande cliffhanger

Nas cenas finais, na TARDIS estacionada nas ruínas de Gallifrey, o holograma do Mestre revela quase toda a história para a Doutora, e aqui temos um show de interpretação, tanto de Sacha quanto de Jodie. A posição dele do alto, em contraposição à vista dela de baixo para cima, revelou quem, no final das contas, pegou quem. O Mestre pega a Doutora com a triste verdade sobre a origem da destruição de Gallifrey e dando a dica sobre a grande mentira dos Senhores do Tempo.

Ali temos a Doutora, pela primeira vez, em um estado de fragilidade e vulnerabilidade emocional tamanha. Ela não está sendo ameaçada, seus amigos não estão em perigo, a Terra não está acabando, mas é a Doutora quem está sem chão, prestes a ser derrubada pela única coisa que ela não pode deter: a verdade.

Sempre questionamos quem é o Doutor, qual seu nome, sua origem, sua real motivação e passado, e ele tem escondido isso muito bem, não só de nós, mas de quase todo universo. Agora, o jogo inverte: a própria Doutora é posta em xeque, pois de repente ela é que não sabe a verdade por trás da própria história. Como o Mestre disse, tudo o que ela achava verdade de repente se mostra uma grande mentira.

Assim como quando Missy deu falsas coordenadas de Gallifrey ao 12º Doutor sem realmente contar onde estava o planeta, agora temos a 13ª Doutora expressando raiva pelo Mestre não contar a verdade sobre o passado deles, enquanto permanecem parados sob as ruínas de Gallifrey.

 

Gallifrey destruída no “universo de bolso”

O universo de bolso fora do vórtex do tempo é aquele em que as 13 regenerações iniciais do Doutor puseram Gallifrey no momento final da Última Grande Guerra do Tempo, como revelado no episódio especial de 50 anos da série, “The Day of the Doctor” após o final da 7ª temporada. Gallifrey foi posta lá ainda em ruínas, com todos os destroços da guerra. Quase não havia sobrado nada no planeta-natal do Doutor, nem mesmo esperança.

Recapitulando…

Nesse local misterioso, sabemos que Gallifrey e todos os Senhores do Tempo restantes ficaram “congelados” em um único instante. Mesmo assim, isso não os impedia de agirem nessa nova realidade. Foi de lá que eles emitiram a pergunta mais misteriosa do universo, “Doutor quem?”, por meio das rachaduras da explosão da Tardis, conforme explicado no especial de Natal de 2013, “The Night of the Doctor”. Foi também de lá desse universo de bolso que os Senhores do Tempo enviaram o segundo ciclo de regenerações para o decadente 11º Doutor (Matt Smith).

Entretanto, de alguma forma, Gallifrey retorna para o universo conhecido do Doutor, mais precisamente escondida no final da linha temporal do universo, conforme apareceu no episódio final da 9ª temporada, “Hell Bent”. Lá, Gallifrey estava intacta, reconstruída a partir da Guerra do Tempo. As cenas mostram o capitólio lindo, belo e formoso, ostentando toda a pompa do então presidente ressurreto Rassilon (Donald Sumpter). Mais futuramente ainda, o 12º Doutor pisa nas ruínas de Gallifrey, nos últimos minutos do universo. O ambiente inevitavelmente está sucumbindo ao fim de todo espaço-tempo.

Quando questionado sobre como Gallifrey conseguiu escapar do universo de bolso, o 12º Doutor diz que não sabe e que preferiu não perguntar para os Senhores do Tempo não ficarem se gabando… De qualquer forma, Gallifrey estava intacta e bonitinha, reconstruída, nesses eventos “pós-universo-de-bolso”.

E agora…

Portanto, em algum momento entre esses dois eventos, Gallifrey foi totalmente destruída pelo Mestre lá no universo de bolso. A grande lacuna agora é o que acontece entre essa destruição de Gallifrey e o escape, já reconstruída, para o fim do tempo.

Infelizmente, Spyfall (Parte 2) não dá indícios de que isso será esclarecido, mas sim apenas os motivos que fizeram o Mestre destruir seu próprio planeta-natal. Outra dúvida, ele teria destruído apenas o planeta (e todas as estruturas dos Senhores do Tempo) ou também matado todas as pessoas? Em Gallifrey, existem os Senhores do Tempo e também outros povos que vivem de uma forma mais arcaica, afastados da pompa dos lordes.

Alguém sobreviveu?

É preciso que sim, para que façam sentido os eventos de “Hell Bent”. Do contrário, teríamos uma imperdoável inconsistência na macrotrama de Doctor Who.

A criança atemporal

A “timeless child” retorna para a 12ª temporada com muito mais peso que antes. Ela faz parte da memória da Doutora. Inclusive, temos um rápido vislumbre da criança, com trajes gallifreyanos, olhando para uma poderosa fonte de energia no céu. Impossível identificar a identidade da criança, ela ainda pode ser qualquer um(a), conhecida ou não, Mestre ou Doutor, Senhor do Tempo ou outra espécie.

Tudo que temos à nossa disposição até agora é que esta criança é a base de um segredo muito obscuro a respeito da gênese dos Senhores do Tempo. Até então, o que sabemos sobre a origem da espécie do Doutor é que, por milhões de anos, eles foram expostos ao vórtex do tempo até evoluírem ao ponto de suportarem os ciclos regenerativos, segundo o episódio 7 da 6ª temporada, “Good Man Goes to War”.

No universo expandido da franquia, temos várias outras possibilidades, inclusive com o 11º Doutor estando junto na fundação da primeira sociedade dos Senhores do Tempo, com sua identidade duplamente oculta, dentre várias outras teorias não canonizadas ainda pela série televisiva.

Sempre houve também a possibilidade de que a Doutora seja meio-humana e “meio-Senhora do Tempo”, devido aos acontecimentos do filme “Doctor Who” de 1996, com o 8º Doutor (Paul McGann), durante confronto com o Mestre (Eric Roberts). Esta teoria nunca foi retomada na série.

 

Vem muito mais por aí…

Agora, com o coração na mão, só nos resta esperar os próximos passos dessa jornada rumo ao que pode ser uma grande disrupção na história de Gallifrey e uma nova era em Doctor Who.

Teremos ainda nesta temporada: Cyberman, Judoons, Daleks e vários outros alienígenas novos pela frente, companions e figuras históricas.

Lembre-se comentar abaixo suas opiniões sobre o episódio e sobre este review.

Allons-y! :v

 

Texto: Djonatha Geremias (Universo Who)

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