REVIEW 12×01 – Spyfall (Parte 1)

Spyfall (Parte 1) reabre Doctor Who com o final mais inusitado de todos: o retorno de um grande vilão clássico que (quase) ninguém esperava ver tão cedo. E muito mais: ação, espionagem, MI6, assassinatos e um grande mistério… a qualidade vai se manter ao longo da 12ª temporada?

O Universo Who também reabre a temporada de novos reviews alertando: este artigo contém spoilers, docinho. Então, se você já assistiu ao episódio de estreia, leia com tranquilidade. Se não, CORRA!

Vamos falar sobre:

  • Novidades na abertura
  • Continuidades e referências
  • MI6 em Doctor Who
  • Os sinistros “Kasaavin”?
  • e Oh…

Vista seu melhor smoking e venha correndo embarcar nesse avião com a gente!

 

Novidades na abertura

Voltamos a ter as sequências frias, aquelas cenas que antecedem a animação da abertura do programa. A 11ª temporada havia quebrado o padrão da série moderna ao colocar a nova abertura ja no início do episódio. Agora, voltamos a ter um breve panorama do mistério do arco.

Para quem gosta de experimentar um clima de tensão antes de soltar o gogó no “doo-wee-doo”, a mudança foi ótima!

Nova música?

Honestamente, não senti diferenças no som. Porém, vários comentários da audiência britânica mencionam terem percebido uma leve alteração no arranjo da música de abertura. Em especial, nos momentos que antecedem o “doo-wee-doo”, em que haveria uma alteração dos graves e baixos. A BBC não confirmou nada em relação a isso, por enquanto.

Lembre-se de comentar abaixo se você também sentiu essa diferença!

As fontes impactantes

Não que eu tenha gostado, mas a 12ª temporada manteve o tipo de fonte branca e pesada para indicar localidades.

Essa fonte apareceu pela primeira vez no especial de Ano Novo de 2019, “Resolution”. Essa é uma mudança feia em relação à 11ª temporada, em que as fontes eram mais suaves.

 

Continuidades e referências

A princípio, as aventuras da 11ª temporada parecem não ter ligação direta com os eventos de Spyfall (Parte 1). No entanto, ficamos sabendo quais têm sido as consequências das viagens na TARDIS na vida dos companions.

  • Graham O’Biren (Bradley Walsh) ficou muito tempo sem cuidar da saúde (ele vive sob a iminência de um possível retorno do câncer);
  • Yazmin Khan (Mandip Gill) está se prejudicando no estágio probatório da academia de polícia de Sheffield, e mentindo para família sobre essa situação;
  • Ryan Sinclair (Tosin Cole) está inventando doenças para justificar sua ausência para os amigos.

Pela primeira vez, vemos a Tardis sendo reparada pelo lado de fora, com os cabeamentos à mostra.

Como? Fique à vontade para imaginar… spacey-wacey…

Semelhanças com a 11ª temporada

Essa narrativa inicial é bem semelhante ao início da 11ª temporada, “The Woman Who Fell to Earth”. O escritor Chris Chibnall, que escreveu ambos episódios, repetiu a linha. Ele primeiramente mostrou a vida dos companions e depois o encontro com a Doutora.

Nas duas situações, esses encontros foram catalizados já por um chamado à aventura. Em “The Woman who fell to Earth”, o encontro foi durante o ataque alienígena ao trem. Em “Spyfall (Parte 1)”, o encontro foi durante um “rapto” misterioso dos agentes secretos do MI6.

O “retorno” do MI6

O Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido, mais conhecido como MI6, é o ponto de partida de Spyfall (Parte 1). É a primeira vez que o MI6 aparece na série televisiva, mas não no universo de Doctor Who.

No universo expandido da série, o MI6 já cruzou caminhos direta e indiretamente com o Doutor, principalmente nas histórias em quadrinhos (HQs). Algumas encarnações que interagiram com o MI6 foram as do 8º e do 11º Doutor.

MI6 e Torchwood

Comandada pelo capitão Jack Harkness (John Barrowman), a base de Torchwood foi destruída pelo governo britânico, durante os eventos da 3ª temporada do spin-off.

Segundo o livro “Long Time Dead” (da BBC Books), foi o MI6 que recolheu os destroços tecnológicos de Torchwood, em busca de possíveis compradores para o que pode ser salvo.

Isso explica o porquê de o comandante do MI6 em Spyfall (Parte 1), codinome “C” (Stephen Fry), ter ciência da existência de Torchwood no trato com questões extraterrestres. Vale lembrar que Torchwood costumava ser um segredo até mesmo para os Primeiros-Ministros do Reino Unido – até chegar o governo de Harriet Jones (Penelope Wilton).

MI6 e o Mestre

Também não é a primeira vez que MI6 e o Mestre estão na mesma história. Na HQ “The Fallen” (da Doctor Who Magazine), uma versão do Mestre tentava conseguir um novo corpo e sobreviver após os eventos do filme de 1996.

Um agente secreto do MI6, Duncan, tentou impedir o Mestre, mas acabou sendo assassinado por ele. Para isso, o Mestre utilizou o Compressor de Tecidos – o mesmo dispositivo utilizado pelo Mestre em Spyfall (Parte 1) para matar o verdadeiro agente “O”. Coincidência?

E já que mencionamos ele… o Compressor de Tecidos (do inglês “Tissue Compression Eliminator“, TCE) já apareceu diversas vezes na sére clássica de Doctor Who e também no universo expandido. É uma arma que condensa a matéria e possivelmente elimina o excesso, causando assim a morte das pessoas que foram encolhidas.

Um GPS assassino?

Já vimos um carro automático matando gente em Doctor Who. Foi na 4ª temporada, no episódio “The Sontaran Stratagem”.

Um veículo deu fim à vida da jornalista que investigava os perigos do sistema ATMOS. Infelizmente para ela, estava dirigindo justamente um veículo equipado com o tal sistema. Ativado remotamente, o carro utilizou o sistema de voz do GPS para indicar suas intenções e revelar, ao final da sequência pré-abertura, o terrível destino da jornalista.

Em Spyfall (Parte 1), novamente temos uma cena semelhante. O veículo do MI6 é hackeado e controlado remotamente, na tentativa frustrada de assassinar a Doutora e seus companions. Possivelmente tenha sido o Mestre, mas a certeza só deverá vir no episódio 2 da 12ª temporada.

Espionagem à la 007

O ambiente de espionagem de Spyfall (Parte 1) foi uma homenagem também ao filme “007 – Skyfall” (2012), que é o 23º filme da franquia do clássico Agente 007, James Bond (Daniel Craig).

No filme, os agentes secretos também são comandados pelo MI6 e vários possuem codinomes apenas de letras. Incluive, a chefe do MI6 é “M” (Judi Dench).

Skyfall era o nome da propriedade em que Bond cresceu com a família. O nome vem do inglês “queda do céu”. Já em Spyfall, os companions da Doutora se veem em um avião em queda livre ao final do episódio.

Infiltração em festa de gala

Foi no episódio 5 da 2ª temporada de Doctor Who, “Rise of the Cybermen”, que vimos pela primeira vez na série moderna o 10º Doutor (David Tennant) de smoking se infiltrando em uma festa de gala com sua companion, Rose Tyler (Billie Piper), disfarçada de empregada.

Em Spyfall, temos a 13ª Doutora e seus companions vestidos de roupas sociais se infiltrando em uma festa de gala à la 007.

Ao final daquele episódio, o vilão clássico aparece, os Cybermen. Neste, e o vilão clássico é o Mestre. E falando em Cybermen, o último arco da mesma 2ª temporada, “Army of Ghosts” e “Doomsday”, também traz um vilão misterioso em forma humanóide de luz, que aparece pelo planeta inteiro.

Os Cybermen de um universo paralelo são os misteriosos fantasmas ativados por Torchwood e que criam a sensação de tensão e perigo a longo de toda a parte 1 do arco final.

Da mesma forma, em Spyfall, temos novamente centenas ou milhares de seres de luzes, em formato humanóide, ameçando o planeta. Essa grande referência indica uma possibilidade: de que os alienígenas ocultos sob aquela luz possam ser já conhecidos da audiência… Vamos falar disso no próximo tópico!

 

Os vilões de Spyfall

Um eipsódio cheio de ação nos entrega também diversos inimigos declarados e algumas ameaças veladas. Vamos falar de alguns principais:

Os seres de luz, “Kasaavin”?

O nome não aparece no episódio, mas sim no créditos finais de Spyfall (Parte 1). O ser de luz que foi preso no contâiner do agente “O” chegou a se comunicar com a Doutora. Nos créditos, ele foi identificado como “Voz de Kasaavin”.

Não sabemos se o nome se refere à espécie ou ao indivíduo. Geralmente, há as duas possibilidaes em Doctor Who. Os Cybermen e Daleks na maioria das vezes não possuem nomes individuais, mas outras raças (como Silurians, Sontarans e Ice Warriors, por exemplo) identificam cada ser por nomes próprios.

De qualquer forma, esses seres luminosos de Spyfall demonstram ser extremamente perigosos. É a primeira vez emtoda história da franquia de Doctor Who que um inimigo consegue penetrar o interior da Tardis. Felizmente, a tentativa foi interrompida a tempo pela Doutora.

Eles demonstram ter a habilidade de aparecer e desaparecer de qualquer ponto no planeta, sem deixar rastro físico. A chave de fenda sônica da Doutora foi estranhamente incapaz de ler as manifestações daqueles seres na porta da Tardis.

Durante o breve diálogo da Doutora com o preso Kasaavin, fica claro que ele não é daquela realidade, daquele universo, tampouco possuem forma humanóide, como estava aparentando. Ao contrário dos Cybermen de “Army of Ghosts”, a imagem de luz do Kasaavin não é um reflexo mal formado da real aparência deles, mas sim uma escolha motivada por “diversão”.

Seriam os Boneless?

O Kasaavin fala algo muito importante:

“Nós estamos ESTÁVEIS agora”.

Essa fala curta, que antecede a intenção deles de conquistarem este universo, nos indica duas possíveis lógicas:

  1. Eles já estiveram aqui antes;
  2. Antes eles estavam instáveis.

Os únicos seres de outra realidade que já estiveram na Terra antes de forma instável foram os Boneless (ou os “Desossados”).

Os Boneless apareceram na 8ª temporada, no episódio 9, “Flatline”. O nome foi dado pelo próprio 12º Doutor (Peter Capaldi) por não saber o real nome daquela espécie. Vindos de um universo de apenas duas dimensões espaciais, os Boneless estavam ainda instáveis, tentando compreender e invadir o nosso universo de três dimensões espaciais.

Cientistas ou guerreiros, eles foram detidos pelo 12º Doutor com ajuda da companion Clara Oswald (Jenna Coleman), sendo mandados de volta à força de volta para seu próprio universo. Na época, o Doutor tentou se comunicar com eles, dando várias oportunidades, até finalmente perceber que os Boneless eram realmente malvados.

Outra semelhança é a forma como eles aparecem no nosso universo. Ambos Boneless e “Kasaavins” surgem a partir de um plano (parede, porta, etc.), inclusive projetando a imagem do plano numa terceira dimensão, dando assim, forma a seus espectros luminosos. Isso pode ser uma grande possibilidade de nos indicar que se trata da mesma espécie.

Agora, em Spyfall (Parte 1), pode ser que venhamos a descobrir a verdadeira identidade dos Boneless. Ou não…

Daniel Barton, fundador da VOR

O ator convidado especial Lenny Henry dá vida ao misterioso Daniel Barton. Apesar de sabermos pouco sobre suas reais intenções, sabemos que ele joga do lado oposto ao da Doutora. Isso porque ele está, de alguma forma, aliado ao seres de luz, trabalhando em parceria com eles, e também com o Mestre.

Pouco antes de abandonar o avião, Barton recebe um telefonema de um número privado. Logo ficamos sabndo que era uma ligação do Mestre, indicando que ele devesse abandonar o avião, deixar a bomba no banco do piloto e tirar os paraquedas. De alguma forma, tudo isso aconteceu enquanto a Doutora e seus companions tentavam subir a bordo do avião, dando tempo apra que o Mestre discreta e rapidamente entrasse em contato com Barton.

Agora, continua o mistério sobre sua natureza. Barton está deixando ser humano: 7% de seu corpo é feito de alguma outra coisa – o mesmo que aconteceu integralmente aos agentes atacados pelos seres de luz no início do episódio. Além disso, qual a motivação de Barton? Como ele e a mega corporação VOR entram nessa trama do Mestre?

Vale lembrar também que a VOR é um tipo de Google da vida real. Um super mecanismo de busca na internet, mas também atua em várias outras áreas de pesquisa, inlusive de análise humana e robótica. Será que temos aqui um gancho para trazer os Cybermen mais para frente?

“C” pode ser um vilão?

O inocente que não sabia de nada? O chefe do MI6 agiu de forma muito suspeita nas poucas cenas em que apareceu. Como um chefe do maior serviço de inteligência secreta do Reino Unido poderia ficar tão vulnerável a um ataque pelas costas no próprio gabinete? Como ele poderia não saber de nada sobre o hackeamento no veículo de seus agentes secretos?

Além disso, o ator Stephen Fry é um convidado especial e uma figura muito popular e importante no cenário britânico. Seria muito suspeito que ele fizesse uma participação tão breve em um arco tão importante. Nossas suspeitas é de que há mais por vir dele no próximo episódio… Talvez ele não tenha de fato morrido, e talvez seja a mente por trás de todos os eventos, inclusive do fechamento da UNIT (vai quê).

Os fatos é que “C” foi quem contratou o agente O, possivelmente quem lhe deu este codinome, e também quem demitiu o agente tempos depois. “C” tinha uma relação estreita com o agente “O”, e o Mestre sabia que “C” havia sido morto sem ninguém contar a ele (apenas hackeando os comunicadores). Pode ser tudo uma alegação falsa do Mestre, e ser “C” quem está controlando a situação.

Isso poderia ser uma interpretação do que Mestre diz para a Doutora…

“Tudo o que você acha que sabe é uma mentira.”

Ou não…

O!!! Mestre voltou!

Aquele momento em que a gente pula da cadeira, dá um gritinho e fica de boca aberta. A revelação do retorno do Mestre pegou muita gente de surpresa – mas não todos.

Dois meses atrás, já circulava na internet o rumor de que o ator Sacha Darwan seria o novo Mestre na 12ª temporada. Por ser um ator já conhecido e por ser um papel de muita importância, pouca gente deu crédito ao vazamento da informação.

O indício mais provável da veracidade do boato era o de que, no currículo do ator, estava um papel previsto para Doctor Who em 2020, com o nome da personagem oculto. Sacha, inclusive, esteve presente nos bastidores das gravações da 11ª temporada na Índia, no episódio “Demons of the Punjab”.

O convite para ser o Mestre veio há quase dois anos, e ele só conseguiu esse papel por ter estado indisponível para um outro papel menor na época. Segundo o ator, acabou sendo uma coisa positiva, no fim das contas. O difícil foi segurar o spoiler por tanto tempo.

Sacha nunca apareceu em Doctor Who, exceto pelo drama-documentário “An Adventure in Space and Time”, parte dos especiais de 50 anos da série em 2013. O documentário contava o surgimento da série em 1963, e Sacha interpretou o primeiro diretor do programa, Waris Hussein. No universo expandido, atuou junto aos audiodramas da Big Finish, dando voz a vários personagens diferentes.

Em Spyfall, Sacha dá um show de interpretação, tanto enquanto nos enganava como sendo o pobrezinho agente “O”, quanto sendo o megalomaníaco Coringa psicopata Mestre. A precisão com que ele controla os movimentos do rosto são o grande “tcham” da performance.

Segundo o ator, levou muito tempo para desenvolver essa interpretação do Mestre, após muito diálogos com os produtores da série. Sacha acredita que haja um tom “melancólico” nessa nova versão do Mestre.

Tardis do Mestre dentro da Tardis

Se a casa do Mestre for realmente a Tardis dele disfarçada, então temos novante uma referência à série clássica. Uma das cenas mais divertidas da relação Doutor-Mestre era quando suas Tardises pousavam uma dentro da outra. Agora, a Tardis da Doutora pousa momentaneamente dentro da casa do agente O, ou seja, na Tardis do Mestre. Mas isso é só uma conjectura…

E por falar nisso, lembram da cara de pau do Mestre ao entrar na Tardis da Doutora como se fosse a primeira vez? Que safado.

 

Spyfall (Parte 2) vem aí

Daqui a pouco, teremos a segunda parte deste arco, que vai terminar de esclarecer muita coisa.

Por ora, este redator aqui está muito feliz com a forma com que esta nova temporada começou, cheia de ação, mistérios, falas engraçadas e muitos perigos e surpresas. Um senhor cliffhanger que, certamente, vai alavancar a audiência do episódio 2.

Que venha muito mais Mestre do Sacha por aí! Até a próxima review!

 

Texto: Djonatha Geremias (Universo Who)

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