Review 11×10 – The Battle of Ranskoor Av Kolos

A Batalha de Ranskoor Av Blablablá não teve batalha, mas pouco drama e muitas pontas soltas para um fim da 11ª temporada de Doctor Who. Venha com a gente entender o porquê, neste review do season finale “The Battle of Ranskoor Av Kolos”.

Review 11x10, The Battle of Ranskoor Av Kolos - Autor: Djonatha Geremias

Apesar de eu me segurar para não falar de como esse episódio se enquadra terrivelmente na temporada como um todo, vou tentar (prometo) me ater apenas a ele.

Por isso, este review vai analisar os seguintes pontos do episódio:

  • Respeito ou desrespeito à continuidade dos episódios 1 e 2?
  • Qual o verdadeiro papel de Tim Shaw neste episódio?
  • A fé e os poderes dos Ux
  • O planeta Ranskoor Av Kolos
  • O figurante capitão Paltraki (e Yaz)
  • A disrupção “Graham versus Ryan e Doutora”

Portanto, coloque seus protetores neurais e desembarque com a gente nesse planeta desmiolador de mentes e de roteiro.

Um arco triplo separado por sete “fillers”

“The Battle of Ranskoor Av Kolos” foi aquele puxão de tapete que ninguém esperava para um “season finale”. A 11ª temporada de Doctor Who quebrou o padrão da era moderna ao trazer sete episódios desconectados do que seria a “trama principal” da temporada.

Em outras palavras, tivemos uma trama simples sobre o stenza Tim Shaw em um arco triplo, composto pelos episódios 1, 2 e 10. Dessa forma, “The Woman Who Fell to Earth”, “The Ghost Monument” e “The Battle of Ranskoor Av Kolos” formam a única trama com continuidade na 11ª temporada.

Entre os episódios 2 e 10, tivemos sete episódios “fillers“, ou seja, de mero preenchimento da temporada. Isso porque eles não cooperam para a macro-história dela, geralmente com clímax no último episódio. Semelhantemente à 11ª, tivemos em 2014 a 8ª temporada, também com o lançamento de uma nova regeneração do Doutor.

O atual 10º episódio contem sutis referências aos episódios fillers que o antecederam. Porém, isso não os caracteriza como fundamentos para a construção do season finale. Logo adiante, vou mostrar essas referências.

Trio de aventuras ao “estilo Moffat”

O último arco triplo que tivemos antes deste estava na 10ª temporada, às mãos do showrunner Steven Moffat. Foi composto pelos episódios “Extremis”, “The Pyramid at the End of the World” e “The Lie of the Land”. Por se tratar também da cegueira do Doutor, algumas pessoas considerando também o episódio “Oxygen” nessa lista. Assim, isso o tornaria um arco quádruplo.

De qualquer modo, naquela aventura, o 12º Doutor (Peter Capaldi) enfrentava um novo inimigo, a decrépita espécie dos Monges. Porém, cada episódio funcionava como uma aventura individual, ou seja, um único plot criou três aventuras distintas. Isso contrasta com o estilo de arcos duplos de temporadas anteriores, em que uma única aventura se estendia por mais de um episódio.

Já na 11ª temporada, o nosso “arco triplo” segue o estilo do arco dos Monges. Para cada episódio, uma aventura diferente, mesmo que causada direta ou indiretamente pelo mesmo inimigo. Neste caso, a espécie Stenza, protagonizada pelo T’zim-Sha (o nosso azul-fofinho “Tim Shaw”).

Agora, considerando este um arco triplo, precisamos analisar a continuidade entre essas três aventuras.

O legado Stenza em um único ser

T’zim-Sha (Samuel Oatley) foi o único espécime Stenza que vimos em Doctor Who até hoje. Mesmo sendo apenas um, nosso “Tim Shaw” conseguiu nos entregar a imagem de uma raça poderosa, cruel e conquistadora do universo. Com base em apenas uma personagem, vislumbramos a dimensão do poder bélico, tecnológico e até orgânico dessa congelante espécie estreante.

Por outro lado, em “The Ghost Monument”, não vimos Stenza algum, mas vimos o rastro de destruição causado pela ação deles. O planeta “Desolação” nos revelou como os azuizinhos exploram a ciência dos inimigos contra estes. A trama do episódio 2 só foi possível graças a um planeta-palco já literalmente desolado pelos Stenza. A aventura, inclusive, é o que leva à recuperação da TARDIS e, conseguintemente, ao planeta Ranskoor Av Kolos do episódio 10 (já que é a TARDIS quem leva a turma para lá).

Assim, mesmo sem os Stenza nunca terem aparecido em sociedade, os dois primeiros episódios foram felizes em nos fazer imaginar o quão maléficos eram.

Entretanto, “The Battle of Ranskoor Av Kolos” nos entrega um novo conceito, essencial para que a trama final funcionasse. Trata-se de ter TODO o legado Stenza na mente de um único espécime: nosso Tim Shaw.

Onde estavam os Stenza?

Parte das pontas soltas que mantiveram-se sem explicações ao final da 11ª temporada envolve principalmente a sociedade Stenza.

Sabemos que Tim Shaw era um candidato à liderança de todos os Stenza, e falhou miseravelmente no desafio final. Mesmo trapaceando, não obteve êxito e nunca sequer voltou para casa. Portanto, o que houve com a sociedade dele?

Eles podem ter pressuposto que T’zim-sha apenas morreu durante o desafio, e a vida segue. Porém, seguiu como? Quem assumiu a liderança e onde estava essa sociedade maligna mais de 3,4 mil anos depois?

Foi dito em “The Battle of Ranskoor Av Kolos” que passaram-se (para Tim Shaw) 3407 anos desde o banimento dele da Terra. Considerando que o deslocamento para o planeta dos Ux, Ranskoor Av Kolos, foi apenas espacial (e não temporal), o reencontro com a Doutora realmente aconteceu no nosso futuro (ano 5425).

Portanto, onde estava a civilização Stenza naquele século 55? Próxima? Longe? Desenvolvida? Aniquilada?

Stenza sobrevivem em Tim Shaw

Não conhecemos a biologia completa de um Stenza, mas sabemos que, de algum modo, eles são capazes de armazenar muita, mas MUITA memória, com todos os detalhes técnicos de engenharia e sabe-se lá mais o quê. Tim Shaw ainda estava fisicamente deficiente, debilitado, quase um Darth Vader respirando por aparelhos.

Assim, o poder dos Ux (do qual falarei mais para frente) permitiu a Tim Shaw que pudesse recriar todas as tecnologias que os Stenza detinham. A dupla de Ux foi não só os braços artesanais do Stenza sobrevivente como também foi seus súditos alquimistas. Assim, mais do que tudo o que a raça Stenza já detinha, os Ux potencializaram a um nível ainda mais poderoso.

Porém, estamos falando de um único Stenza. Em mais de 3 mil anos, a civilização completa também já não teria evoluído muito mais, conquistado muito mais, obtido um armamento bélico-tecnológico muito superior?

Lógico, a não ser que já tenham sido exterminados até lá… é difícil aceitar isso.

Tim Shaw: por que e para quê?

Confirmou-se a suspeita desde o início: Tim Shaw seria o principal vilão da temporada. Porém, como ela em si foi apenas de fillers e de um arco triplo, então “ser o vilão da temporada” não tem lá grande peso.

Nosso azulzinho cheio de dentes faciais nos traz uma problemática que não deveria mais acontecer em Doctor Who. Trata-se da união do Propósito e da Presença em uma trama, ou seja, a Justificativa.

Tirando a aparência escrota e a personalidade vil, Tim Shaw não assusta como vilão, não mete medo nas criancinhas, não cria tensão na audiência. Ele pode ter se mostrado um cara muito mau no episódio de estreia, matando impiedosamente vários inocentes, mas, para o público, ele não transmite a emoção do medo, como faziam muito bem os Anjos Lamentadores, por exemplo.

Não se trata aqui de comparar qual o melhor ou pior vilão, muito menos fazer saudosismo querendo um “comeback” dos assassinos de pedra. Não. Estou mencionando apenas para exemplificar o fator de transmissão da emoção medo na audiência. Inclusive, não me pareceu que as personagens de “The Battle of Ranskoor Av Kolos” também tivessem medo do falso deus “Criador” Tim Shaw.

Portanto, se Tim não causa medo na audiência nem nas personagens, qual sua função como vilão?

Vilão serve para superar conflitos (ou deveria ter sido)

A função dele é a de ser um obstáculo para a trama, ou melhor, ser um degrau para ela. Neste último episódio, Tim Shaw foi o passo final que faltava para Graham (Bradley Walsh) superar o luto e o desejo de vingança por Grace e restabelecer sua relação familiar com o neto Ryan (Tosin Cole).

O Stenza também serviu para que a Doutora (Jodie Whittaker)… hum… Bom, ele serviu para que Yaz (Mandip Gill) também pudesse… hum… enfim.

Este é o problema desse vilão. Tim Shaw não teve muita utilidade para a trama porque, primeiramente, a trama não deu conflitos fortes o bastante para que o vilão fosse útil.

A ambição de Yaz, a família dela, a dispraxia de Ryan e o medo da nova regeneração da Doutora foram exemplos de possíveis conflitos que foram esquecidos ao longo da temporada, sobrando apenas as complexidades internas de Graham. Não é à toa que ele é considerado a personagem mais forte do grupo, inclusive cabendo a ele o elemento do medo: ele iria ou não desobedecer a Doutora e vingar-se do Stenza?

Honestamente, não vejo no Tim algum futuro consistente na série. Quero cruzar os dedos e torcer para que Tim Shaw tenha seu destino selado para sempre no universo expandido de Doctor Who para que novos Stenza, mais consistentes, possam aparecer e brilhar na série televisiva. #minhaopinião

Ux: o que estão fazendo?

Perdoem-me o trocadilho do subtítulo, mas sério: o que raios e trovões estavam os dois Ux fazendo no início do episódio?

Era algo grandioso e épico, o destino do universo estava diante daquele momento. Porém, Tim Shaw aparece e… tudo desmorona – literalmente! E isso não é retomado. O que será de tão grande e belo e importante os Ux estavam prestes a fazer? Será que um dia saberemos?

Indo além, vamos tentar entender a relação dos Ux com o Tim (e consequentemente com o episódio).

Os Ux demonstraram ter uma sabedoria e conhecimento gigantes sobre o universo, sobre o legado da própria espécie e etc. Essas informações não foram reveladas a nós, mas estava implícito que eles eram detentores de um “lore” muito especial.

Por outro lado, esses dois espécimes estavam isolados do universo e afundados em sua própria fé, em seus dogmas e expectativas. Assim, diante de um evento importantíssimo que estavam prestes a executar, algo inusitado acontece e eles não fazem ideia de como explicar. Exceto, claro, por tentar enquadrar esse evento misterioso (a aparição repentina de um Stenza) no repertório religioso em que os Ux tanto acreditavam.

Por fim, isso os leva a serem marionetes de um mal intencionado Stenza. Tim Shaw chegou a ser confundido por eles com alguma divindade, chamada “Criador”.

O deus “Criador”

Os Ux são uma espécie “catalizadora”. Em outras palavras, conseguem criar coisas a partir de elementos da natureza, de forma quase que mágica ou alquímica. Portanto, nada mais sensato que sua divindade fosse um “criador primordial”.

Essa divindade pode ou não ser associada ao Deus abraâmico da cultura humana, que também é um “Criador”. Assim como os Ux, os seres humanos também têm sido capazes de criar tecnologias estupendas a partir da natureza primária. Imagine Adão e Eva vendo um iPhone pela primeira vez, por exemplo.

Portanto, os Ux são basicamente humanos religiosos com suas capacidades “criativas” potencializadas a um nível irreal para nós. Porém, essencialmente eles continuam sendo tão suscetíveis ao medo do desconhecido quanto a nossa espécie, inclusive, reagindo da mesma forma.

É como se o roteirista pensasse…

“E se os humanos religiosos fossem uma espécie alienígena própria, com todos seus defeitos e virtudes elevados à última potência?”

…e assim surgem os Ux.

Crítica à fé cega e aos exploradores da fé alheia

Se você ouviu nosso podcast sobre “The Battle of Ranskoor Av Kolos”, viu que falamos sobre esse tópico. Ele vale a pena ser reforçado aqui.

Surpreendeu-me muito que os Ux foram incapazes de questionarem a real natureza de Tim Shaw. Talvez o mais jovem, Delph (Percelle Ascott), tenha sido o único a duvidar, mas não teve forças para lutar contra. A submissão à Ux mais velha, Andinio (Phyllis Logan), fez com que ele fosse um tipo de “prisioneiro” dentro da própria religião.

Não sabemos qual a idade inicial de Andinio, mas Delph tinha apenas 17 anos no início do episódio. Mesmo após mais de 3 mil anos, Delph continuava com aparência juvenil e igualmente submisso à Ux mais velha.

De qualquer forma, existe essa crítica velada à cegueira da fé. É visível que os Ux eram religiosos bem intencionados que acreditavam estar fazendo o que era certo. No entanto, a desconexão deles com o universo, ou seja, estarem isolados da realidade que os cercava, fez com que se tornassem indiretamente armas nas mãos erradas.

O mesmo acontece (e muito) na nossa vida real. Muitos religiosos bem-intencionados acabam sendo instrumentos de charlatões e/ou de ideologias deturpadas daquilo que suas religiões originalmente pregam. Tim Shaw, neste episódio, assume o papel desses exploradores da fé alheia.

Essa trama acaba também servindo de alerta para que nós, religiosos ou não, tenhamos cuidado para não cair na ladainha ou nas aparências de certos manipuladores. É importante estar sempre consciente e conectado com as diferentes realidades ao nosso redor para que não acabemos sendo cruéis com os outros, por mais que nossa intenção seja boa.

O planeta Ranskoor Av Kolos

Mais um elemento subaproveitado neste episódio. O planeta que dá um extenso e desagradável título ao season finale, Ranskoor Av Kolos, tem uma peculiaridade. Ele literalmente mexe com a cabeça de quem está em sua área – e de forma negativa. Por isso ele tem este nome, que significa “Desintegrador de Almas”.

Almas, em Doctor Who, também é tido como o conjunto de memórias que faz nós sermos quem somos. Esse conceito já foi bem elaborado na era do 11º Doutor (Matt Smith) e no episódio final do 12º (Peter Capaldi). Dessa forma, vemos que é principalmente na memória das pessoas que o planeta age.

Vemos isso no capitão Greston Paltraki (Mark Addy). Ele foi a principal vítima das violentas ondas psicotrônicas da atmosfera de Ranskoor Av Kolos. Além disso, o planeta também causa mudanças de humor e distorções de realidade em que está sob a influência de sua atmosfera. Foi assim que, mesmo sendo fortes seres telepáticos, os Ux foram enfraquecidos mentalmente, ao longo de mais de 3 mil anos, para não perceberem a real natureza de Tim Shaw.

No entanto, este planeta “cenário-personagem” teve pouca atuação na história. Em outras palavras, ele foi subaproveitado. Na prática, o episódio apenas atrasou a revelação de informações sobre Ranskoor Av Kolos e a antiga batalha, sem que isso alterasse ou comprometesse a história.

Ele também não conseguiu desenvolver emocionalmente as personagens que ficaram mexidas pelas ondas psicotrônicas.

Paltraki e a tripulação refém

Um exemplo disso é o capitão Paltraki e sua tripulação mantida em cativeiro no templo flutuante dos Ux.

O excelente ator Mark Addy tinha capacidade para entregar muita carga emocional para o capitão, mas a produção do episódio aparentemente abriu mão desse potencial dramático.

Paltraki resume-se a um figurante, sem conflito profundo, nem utilidade para a resolução do problema maior que assolava Ranskoor Av Kolos. O mesmo serve para os tripulantes reféns e todos os demais que foram descobertos presos no templo.

Os companions (e Yaz)

Da mesma forma, nem a Doutora nem os companions realmente tiveram influência importante do planeta. Nada além de uma aparente enxaqueca ou tontura rápida, como se fosse um zunido doloroso na mente. As ondas psicotrônicas de Ranskoor Av Kolos poderiam ter ajudado a revelar emocionalmente mais desses personagens, especialmente a subdesenvolvida Yasmin Khan (Mandip Gill).

Yaz tem sido, ao longo da temporada, a personagem mais criticada pela audiência. O caráter contemplativo dela, com pouco aprofundamento emocional, tem feito dela a companion menos significativa para o desenvolvimento da temporada. Mesmo no episódio “Demons of the Punjab”, em que ela supostamente deveria ser o centro da evolução dramática, nada acontece.

Agora, no season finale, Yaz novamente figura ao lado da Doutora. Mesmo quando aceita o risco de estar com ela custe o que custasse, nada acontece. Mesmo quando ela se expões diante dos cristais-bomba dos planetas miniaturizados, nada acontece. Mesmo quando Ranskoor Av Kolos mexe com sua cabeça a níveis profundos (teoricamente), nada acontece.

Em resumo, nada acontece à Yasmin Khan nesta temporada.

Ryan e Gram: os verdadeiros conflitos

Tanto no episódio quanto na temporada, é possível afirmar que Ryan e Graham foram os verdadeiros conflitos. Neto e avô não consanguíneos mantiveram relações de aproximação e rejeição constantemente.

Não apenas sua aceitação um para com o outro chamou a atenção desde as primeiras cenas da 11ª temporada, como também seus lutos pessoais. Graham tinha o luto pela esposa Grace (Sharon Clarke), enquanto Ryan tinha pela vovó e pelos pais ausentes (especialmente o pai, que estava vivo).

No episódio anterior, “It Takes You Away”, vimos que, de uma forma meio estranha, a relação dos dois foi restaurada. Agora eram de fato neto e avô que se amavam. O luto de Grace estava sanado, e eles podiam “virar a página”.

No entanto, o reaparecimento de Tim Shaw mexeu com essa conquista das personagens. Graham assumiu uma postura de vingança, enquanto Ryan passou a tentar resgatar Graham desse estado emocional. E mais: tudo isso SEM a interferência das ondas psicotrônicas de Ranskoor Av Kolos, já que eles estavam protegidos pelos balanceadores neurais da Doutora.

Mais medo de Graham do que do Stenza

Quando Graham deixa claro que não vai ouvir o conselho da Doutora e que vai sim matar Tim Shaw, o medo aperta. Seria esse episódio a despedida de um companion tão agradável?

Tim Shaw era aquilo que era: um vilão convencido, de propósitos bem esclarecidos (até demais) e sem nenhuma carta na manga para nos pegar de surpresa. Portanto, o mistério real deste episódio estava na decisão que Graham tomaria: matar ou não Tim Shaw?

Enquanto a Doutora ficou ocupada tentando interromper os Ux de fazerem uma besteira e enquanto Yaz fazia figuração ao lado da Doutora, neto e avô estavam diante do principal dilema do episódio. Após levar uma temporada inteira para ter um vô, Ryan precisava lutar para não perdê-lo. Graham estava decidido.

Porém, no momento do clímax, ele deu um passo para trás na sua decisão e não se tornou um assassino, finalizando a cena dramática com um alívio cômico. Êêêê…

E a Doutora?

Porém, cadê o conflito da Doutora? Digo, o real conflito dela nesta temporada? Todas as dez primeiras desde 2005 tiveram conflitos importantes para seus Doutores, mas a nossa nova Senhora do Tempo não parece ter tido.

O 9º Doutor precisava decidir se seria um genocida Dalek ou um covarde. O 10º Doutor precisava salvar a humanidade ou a própria companion? Depois, perdoar o Mestre ou condená-lo? O 11º Doutor sacrificaria-se para salvar o universo? E o 12º, novamente, decidiria-se por ser um homem bom ou mau? Salvaria o universo ou sua companion? Sacrificaria-se pelo fim dos sofrimento ou se daria uma nova chance?

Todos esses dilemas marcaram a primeira dezena de temporadas da era moderna de Doctor Who. Porém, a 13ª Doutora não teve na 11ª temporada um conflito preponderante. Nem o fato de ser a primeira regeneração feminina teve peso, na ausência de qualquer outro.

Honestamente, estava com minhas esperanças na possível perda de ao menos um companion. Isso para que a Doutora fosse confrontada com seu lado negro, solitário ou perigoso. Não seria criativo, já que esse tem sido o “drama de vida do Doutor” ao longo de milhares de anos, mas ao menos estaríamos diante de um conflito própria dessa personagem.

Infelizmente, não tivemos nada. A Doutora foi coadjuvante de quase todas as histórias individuais da temporada, e o padrão não se quebrou no season finale.

Feliz 2019 e até 2020!

Felizmente, como esse review está sendo publicado um dia depois do Especial de Ano Novo, sabemos que algumas pontas soltas não trabalhadas na 11ª temporada foram finalmente resolvidas no próximo episódio “Resolution”.

Por isso, não deixe de visitar o site em breve para ler o review da colega Renata sobre o especial de Ano Novo. E boa sorte para todos nós que ficaremos sem mais nenhum episódio em 2019.

Com esta postagem, também me despeço dos reviews do Universo Who. Foi uma experiência muito legal, analisando cada episódio de número par desta temporada e ainda participando de alguns podcasts. Em especial, todos vocês que capricharam nos comentários aqui no site, na nossa página no Facebook e nas mensagens dos mais tímidos que recebi individualmente nas mídias sociais.

A todos vocês, whovians de todo Brasil, meu muito obrigado! E comente abaixo!

Allons-y!

 

Texto: Djonatha Geremias (Universo Who)

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